MODA

ACESSÓRIO

BEAUTÉ

LIFESTYLE

BLOGS

MARGOT STREET

Shine theory ou como parar a rivalidade feminina

21 / 09/ 2016

 By Bruna Schneider

Imagine a cena:

 

Quatro amigas estão em um bar, bebendo uma boa cerveja – ou um bom clericot, como preferir – e colocando a conversa em dia após algumas semanas sem se encontrarem. A primeira comenta que está muito feliz por ter sido promovida em seu trabalho, a segunda está se sentindo ótima por ter criado seu próprio blog de receitas e a terceira está nas nuvens após ter comprado seu primeiro apartamento. A quarta só estava tranquila por estar há um mês sem dívidas gritantes.

Como a quarta deveria se sentir em relação às suas amigas?

 

Inveja, você diria? Ou ciúme?

 

Ou que tal: felicidade?

 

Está mais do que intrínseca em nossa cultura a competitividade entre as mulheres. Lembro bem quando Rihanna, no início da carreira há uns bons anos, foi comparada à Beyoncé, “ameaçando sua carreira”. Alguém realmente achou que no mundo não haveria espaço para duas mulheres negras sensacionais?

 

Até porque eu não consigo mais imaginar o mundo sem Beyoncé e Rihanna.

O fato é que, na prática, nós mulheres não temos mesmo muito espaço para liderança ou destaque, seja em diretorias de empresas ou comandando equipes. Por isso, toda esta competitividade que é estimulada entre mulheres acaba sendo ainda mais evidenciada. Afinal, se uma mulher se dá bem na mesma empresa que você trabalha, há uma oportunidade a menos para você se destacar. Pensamento lógico ou desanimador?

 

Contudo, apesar de a realidade não ser tão satisfatória assim e haver mil motivos para você competir com suas amigas e outras mulheres, saiba que há uma alternativa bem melhor.

A jornalista Ann Friedman, do The Cut, criou uma teoria que é muito fácil de aplicar: é a Shine Theory, ou “teoria do brilho” ou algo assim. Funciona da seguinte forma: se você conhece uma mulher poderosa, que conquistou coisas ótimas, uma mulher “digna de inveja”, não a inveje. Seja amiga dela. Fique feliz por ela. Você certamente irá aprender como chegar lá se espelhando em uma mulher sensacional e inspiradora.

 

A partir do momento que você se cerca de pessoas realizadas, você fica feliz por elas e se motiva para chegar lá também. A confiança de uma pessoa de sucesso é contagiante. Por que perder tempo invejando sua amiga se você pode aprender com ela?

 

Já estamos em 2016, quase 2017, e não há mais tempo para fomentar rivalidade feminina. Inveja faz mal e dá rugas. Que tal focar em se cercar de mulheres poderosas e formarmos uma rede de puro lacre?

 

rivalidade-feminina

* Para ler: How to stop female competition.

Positividade em liquidação

08 / 09/ 2016

 By Bruna Schneider

Dê uma passada rápida em seu ecommerce favorito. Te desafio a encontrar um único site onde você não encontre pelo menos um produto com alguma frase positiva. “Be happy”, “Good Vibes”, essas coisas, para melhor ou pior gosto. Vá até alguma loja de roupas e escolha sua t-shirt com frase motivacional ou auto afirmativa. A positividade está em voga nesta estação.

 

Em tempos cinzas, de mudanças, de acúmulos e de excessos, ser feliz é quase uma terapia. Páginas e mais páginas nas redes sociais nos mostram como a vida online é perfeita, arrumada, chic e badalada. O Pugliesi lifestyle é uma tendência sem data de validade. Pelo menos por enquanto.

 

Nem só de glamour vive o Instagram. #bomdia #semglamour #instalovers #reallife

A photo posted by Bruna Schneider (@bruna.schneider) on

 

Na última semana publiquei em minha conta no Instagram uma foto do interior do ônibus em que estava indo para o trabalho. Cena normal para uma quinta-feira, 8h. O filtro escolhido: preto e branco. Toda a melancolia de uma manhã cinzenta, com sono e com o desejo de estar em casa embaixo do edredom. Imagem sincera.

O que me surpreendeu foi o fato de esta foto, sim, a do ônibus com a hashtag #reallife, foi uma das minhas fotos mais curtidas no Instagram no mês, perdendo apenas para a imagem de um sorvete de Ferrero Rocher (porque é meio óbvio, não é?). Fiquei meio chocada com o fato de uma foto crua receber tantos likes.

 

#ferrerorocher #dessert #icecream

A photo posted by Bruna Schneider (@bruna.schneider) on

 

Vida perfeita e good vibes no repeat estão em liquidação. Síndrome pós-overdose ou algo do gênero. Ninguém é obrigado a estar feliz ou positiva 24h por dia, 7 dias por semana. Acreditar em vida real, defeitos, mau humor e manhãs em ônibus me parece mais justo. Ou pelo menos pode render mais likes.

A geração que não pode simplesmente largar tudo

24 / 08/ 2016

 By Bruna Schneider

Na última semana, um texto da autora Ruth Manus apareceu, no mínimo, umas vinte vezes na minha timeline. Tratava-se de um desabafo (ou seria um encorajamento?) de uma geração que estava largando empregos formais ou considerados de sucesso para fazer o que ela realmente tinha vontade. Ou seja, trocar um trabalho em um escritório, por exemplo, para vender doces ou fazer um mochilão pelo mundo.

largar tudo 1

Juntamente com o link do texto, vi alguns amigos concordando com o espírito de liberdade que o conteúdo dele sugeria. Afinal de contas, quem não gostaria de trocar uma cadeira na frente do computador durante oito horas do dia por um mochilão no Leste Europeu? Ou então trocar milhões de emails e reuniões por fazer brigadeiro em casa e vender para a vizinhança?

Todo mundo quer largar tudo, oras!

A questão é: nem todo mundo pode. Por isso que chamamos isso de vida real.

Pedir demissão pode ser libertador. Já fiz isso algumas vezes e foi como quebrar correntes (em alguns casos foi quase como ganhar na loto). Mas, em todas as vezes que fiz isso, tive outro emprego em mente. Às vezes o emprego nem mudava muito, só os ares e o endereço. Afinal de contas, eu não tinha condição alguma de largar tudo para começar algo do zero ou viajar por aí.

Mas, voltando ao texto, há um trecho que eu particularmente acho mais engraçado que qualquer piada do Porchat:

“Amigo com cargo fantástico em empresa multinacional que resolveu pedir as contas porque descobriu que só quer fazer hambúrger, amiga advogada que jogou escritório, carrão e namoro longo pro alto para voltar a ser estudante, solteira e andar de metrô fora do Brasil, amiga executiva de um grande grupo de empresas que ficou radiante por ser mandada embora dizendo ‘finalmente vou aprender a surfar’.”

Convenhamos: se a maioria de nós pedir demissão e jogar tudo pro alto agora, o máximo que vai conseguir é aprender a surfar em Cidreira e vender miçanga para não morrer de fome.

Se hoje nós vemos tantos amigos sendo explorados no mercado de trabalho não é porque eles decidiram trabalhar mais de oito horas por dia por um agrado no final do mês. É porque eles precisam disso. Nós precisamos disso. Até porque me soa muito irresponsável viajar o mundo e mandar boletos para os pais.

Mas a mensagem que o texto da Ruth Manus deixa é que existe sim felicidade longe de carreiras ditas de sucesso, que o emprego perfeito é aquele que a gente ama e se diverte fazendo, mesmo que não seja o esperado pelos pais ou pela sociedade. Fim da imposição do glamour.

E, apesar de todos os pesares e das imposições, nada nos impede de ir sonhando e planejando um futuro legal e só seu. Claro que pode demorar mais do que sugere a autora do texto e talvez demore uns anos até chegar o mochilão na Europa. Enquanto a gente abaixa a cabeça para cumprir as tarefas, é possível sim construir algo lá para frente, ser independente e dar orgulho para si mesmo.

Imagem: Reprodução

Meu primeiro dia no Pokémon Go

06 / 08/ 2016

 By Bruna Schneider

1470489384-4paq6j0f0KEWZERbl7aYp2Wdt_ (1)

 

Já tive muitos sonhos na minha infância. Já quis ser DJ, guitarrista de banda de hard rock, astronauta e BBB. Mas, de longe, o que mais eu queria ser era Mestre Pokémon. E agora estou podendo realizar este sonho.

 

Amém?

 

SIM! Depois desta semana, a humanidade se dividiu em duas: uma parte não aguenta mais ouvir falar de Pokémon e a outra metade não aguenta mais viver sem Pokémon.

 

Sou da segunda parte.

 

Mestre Pokémana com orgulho.

 

tumblr_oa0k549qvk1qejjp6o1_500

Ao fazer o download do Pokémon GO, não entendi muito bem a lógica do jogo. “Quero andar no mapinha, mas meu avatar não está se mexendo”. Descobri que eu precisava caminhar para caçar Pokémons. Seria Pokémon GO uma versão nerd de app fitness?

 

Fica o questionamento.

 

O fato é que sim, eu tinha que sair de casa para caçar. De noite. Eu precisava caçar Pokémons. Mas não era louca de sair no Centro de Porto Alegre, à noite, com um celular na mão, caçando animais fofos.

 

Aguardei até o dia seguinte.

 

Se foi o boi com as cordas.

 

Peguei um Uber para ir trabalhar e comecei a minha aventura. Encontrei sete Pókestops (locais onde podemos pegar pokebolas), e cacei dois Zubats.

 

Manhã de sucesso.

 

Só que chegou um ponto que só apareciam Zubats. Zubats em todos os cantos. Malditos morcegos. Virei a Madame Drácula cercada de morcegos.

sub-buzz-17254-1470322907-1

Só que com o passar das horas, começam a surgir Pokémons mais interessantes e fui subindo de nível. Descobri os ginásios, os incensos, o vício.

 

Que troço viciante.

 

Parece uma perda de tempo, mas se meus futuros netos perguntarem, algum dia, eu poderei dizer que fui Mestre Pokémon. Ou pelo menos algo parecido.

giphy

 

 Imagens: Web/Reprodução

 

Sobre a nossa necessidade de rotular

13 / 07/ 2016

 By Bruna Schneider

Não lembro muito bem o mês, muito menos o dia. Estava eu, trabalhando, e comentei por alto com os colegas mais próximos que estava ouvindo uma playlist da rádio Antena 1 no Spotify para me inspirar. Sabe como é, envolve um misto de nostalgia e nos lembra uma série de coisas boas que vivemos. Ou talvez só seja um pouco do meu espírito de mulher de 40 anos falando mais alto.

 

Alguns colegas me olharam um pouco torto, refletindo se riam ou não. Seria uma piada ou aquela guria louca está falando sério?

 

Sim, estava falando sério. Inclusive, recomendo.

 

Quem pouco me conhece acha que só ouço rock e Beyoncé. Talvez seja o que eu mais compartilho nas minhas redes sociais, porque é o que eu mais ouço mesmo. Mas qual o problema de gostar de algo que, a princípio, não se encaixa no padrão que as pessoas enxergam você?

 

Já parou para pensar em como nós deixamos de fazer coisas porque “ah, o que os outros podem pensar de mim”? Quem nunca deixou de ler um livro porque alguns comentam que é leitura pobre? Deixou de dançar na boca da garrafa porque é “brega e vulgar”? Fingiu que não conhecia João Kleber e não fazia ideia do que era o Teste de Fidelidade mesmo assistindo algumas vezes aos sábados de tédio?

 

porque-os-seres-humanos-criam-rotulos-uns-para-os-outros

 

Por favor, né gente.

 

Não existe problema nenhum em fazer o que se tem vontade. O problema está em deixar de fazer por medo do que as outras pessoas podem pensar. Sair da caixinha e rasgar algumas etiquetas é bom, é saudável, nos permite pensar diferente, conhecer coisas novas, descartar algumas e ir evoluindo.

 

Até porque ser o preconceituoso que fica falando mal de funk é tão 6ª série…

 

Já ouvi de um antigo colega de trabalho que tenho muita cultura inútil na cabeça após citar uns dez memes diferentes que envolviam reality de drag queens, vídeos engraçados e programas de televisão dos anos 90. Agora, permito dar uma resposta: cultura inútil é ter preconceito de se reinventar.

 

Sair do próprio molde é saudável, faz bem. Recomendo.

 

Foto: Reprodução/Web

 

 

Santa Indignação, Santa Ignorância

13 / 06/ 2016

 By Bruna Schneider

Santa Indignação

 

Ontem, um belíssimo domingo de sol, acordei lá pelas 11h com a cara mais amassada que eu poderia ter. Ao ir para a sala, meu namorado assistia televisão e, antes mesmo de me situar estando bêbada de sono, ouço sobre um massacre em uma casa noturna. Eu já havia passado pelo mesmo filme antes, no caso da Boate Kiss. Levei um susto.

 

Meu namorado não demora em dizer que houve um massacre em uma casa noturna nos Estados Unidos. Em questão de segundos, o repórter anuncia que a boate era LGBT.

 

O coração apertou.

 

Cerca de 50 mortos, eles disseram.

 

Eu gelei.

 

Naturalmente, eu não conhecia nenhuma das vítimas. O local, bem, é na outra ponta do continente. Mas não importava. Mesmo sendo um belíssimo domingo de sol, meu dia perdeu um pouco a cor. Imagine então como foi para quem lá estava.

 

Quem me conhece sabe que é no Vale dos Homossexuais onde dou as melhores risadas, ouço os melhores conselhos, encontro alguns dos melhores amigos que eu poderia ter. Costumo dizer que a comunidade gay tem um brilho tão próprio, um coração tão gigante, que só sendo assim para conseguir sobreviver a essa maldita selva que a gente inventou de chamar de mundo.

 

A ignorância da humanidade chegou a tal ponto que uma arma com algumas balas é a resposta para mentes doentes resolverem seus próprios problemas.

 

Não é de hoje que Ana Paula Valadão posta sua #SantaIndignação contra formas de amor diferentes da sua. Marco Feliciano disse ontem, em meio a tanto luto, que a causa LGBT estava “se aproveitando” de uma tragédia para se promover. Bolsonaro já disse que “filho gay é falta de surra”. Semana passada, um menino que gostava de lavar louça foi morto pelo próprio pai por não agir como “homem”.

 

Santa ignorância.

 

Hoje começamos a semana de luto. Por Orlando. Pela luta. Pela sanidade. Pela humanidade.

 

Foto: Reprodução/Web

 

 

Burocracias e coisas de hoje em dia

03 / 05/ 2016

 By Bruna Schneider

Era mais um daqueles dias frios de abril. Talvez um pouco mais gelado que o normal. Saí de casa cedo pela manhã para ir ao cartório resolver uma das 257 coisas pendentes da agenda. Burocracias, coisas que quando a gente vira adulto tem que aprender a fazer. Estava vestindo uma calça jeans preta, blusa de mangas compridas preta e um grosso e comprido casaco de inverno igualmente preto. Mais um dia como gótica trevosa, porém nem tão dark assim. Talvez só para afinar a silhueta.

 

Chego ao tabelionato 8h40. Fechado. “Abre só às 9h”, foi o que disse uma senhorinha de um metro e meio de altura à minha frente na fila. Teria que esperar.

 

Ela estava acompanhada por outra senhorinha, com seus também um metro e meio de altura. Pareciam irmãs. Aparentavam ter, as duas juntas, certamente bem mais de um século de idade e vestiam roupas de lã, aquelas que conhecemos como as “roupas quentinhas de vó”. Eram amigáveis.

 

Jornalista que sou (na verdade sou curiosa e enxerida mesmo. O “jornalista” é desculpa), fiquei prestando atenção na conversa das duas. Basicamente, o diálogo se resumia a reclamações. Sobre filas, sobre ter que esperar, sobre as pessoas mal educadas que esbarravam em outros nas ruas sem se desculpar e, principalmente, sobre a demora dos estabelecimentos em abrir as portas.

 

“Tudo abre muito tarde. As coisas deveriam abrir às 8h da manhã. Essa juventude quer acordar cada vez mais tarde. E pra quê?”

 

Elas continuaram falando sobre como era bom o frio ter voltado, pois os dias de calor incomodavam e não dava vontade de fazer nada. “A gente fica suando, grudando, a roupa fica manchada de suor e é horrível de lavar”, argumentava a de botas lilás que mais pareciam pantufas de pelúcia.

 

Meditei. Poucas vezes na vida eu me identifiquei tanto com pessoas que nem conhecia. E, olha só, com duas senhorinhas aparentando ter mais de 60 anos de idade. Talvez eu tenha envelhecido rápido demais. Ou seria bobagem da minha cabeça mesmo. São só algumas coincidências.

 

O tabelionato abriu e fiz o que tinha que fazer. Malditas burocracias. No meu tempo não era tudo tão enrolado assim. Quando eu era mais nova as coisas pareciam bem mais fáceis. Ah, aquele tempo era bom.

coisas de hoje em dia

Foto: Reprodução/Web

 

instagram.com/margotmagazine

 

 

Somos um bando de mentirosos? Sim!

25 / 04/ 2016

 By Bruna Schneider

Quem nunca, em um domingo à noite, em um misto de dor e sofrimento pelo fim do final de semana, abriu as redes sociais e pensou: “Poxa, só eu que me sinto assim?”. Não se culpe, é normal. Afinal, o que você verá em sua timeline são comidas apetitosas, uma viagem incrível para o litoral, uma selfie com a pele perfeita. Cadê a fossa de assistir Faustão?

 

Somos um bando de mentirosos. Sempre fomos. A gente acusa os caras lá de Brasília de mentirosos e blá blá, mas a gente também é. Discorda? Está mentindo.

 

Nós mentimos que não arrumamos a casa porque não deu tempo, que nos atrasamos porque o trânsito, ah o trânsito, estava caótico, que não fomos à academia porque estava chovendo, que não nos alimentamos melhor porque é muito demorado cozinhar e cortar legumes. Ok, algumas são até meias verdades, mas não deixam de ser mentiras.

mentirosos

Mentimos que só temos Facebook por causa do trabalho, que vamos parar de beber (principalmente em algum domingo de manhã), que aquela saia tamanho P vai voltar a caber depois da dieta. Blasfêmia.

 

Em A Tempestade, Shakespeare define muito bem: “O inferno está vazio e os demônios estão todos aqui”. E não é?

 

No fim, vivemos nesta rede de mentiras (rende até nome de novela mexicana). Nem todas são ruins, convenhamos. Mas pensemos bem antes de nos julgarmos plenamente sinceros. Eu prometo melhorar. Mentira? Depende do ponto de vista.

 

Foto: Reprodução/Web’

 

instagram.com/margotmagazine

 

 

A gente não sabe lidar com diferenças

18 / 03/ 2016

 By Bruna Schneider

Acredito que 80% dos problemas mundiais poderiam ser resolvidos se nós aceitássemos melhor as diferenças. É difícil, né? Diria até que é quase utópico afirmar que praticamente todas as tretas poderiam ser solucionadas assim. Mas é o que eu acho.

 

Nós temos uma grande dificuldade em aceitar que as outras pessoas não sejam iguais a gente. Consciente ou inconscientemente, criamos em nossas cabecinhas alguns padrões de estética, atitudes, posicionamentos. Tudo que foge àquela imagem que concebemos nos causa alguma reação que pode ser de preconceito, indiferença, ódio, intolerância ou até pena e solidariedade. Cada um reage conforme a bagagem que tem dentro de si.

 

Faz alguns dias que essas diferenças estão acentuadas a níveis elevadíssimos, principalmente nas redes sociais. As discussões, independentemente do nível, têm um único objetivo: cada um quer que o outro pense como ele pensa. A gente não sabe lidar com diferenças.

 

Seria muito ingênuo da nossa parte acreditar que todas as histórias tenham um lado bom e um lado ruim. Isso não existe. Aliás, ninguém é 100% bom ou ruim. Me perdoem o trocadilho, mas todo mundo tem “aquele 1%”. Ok, podem rir. Mas é verdade, não é?

lidar com diferenças

É perda de tempo querer que as outras pessoas pensem e ajam como nós. Isso é simplesmente impossível! Imagine sete bilhões de pessoas no mundo pensando igual. Aliás, que graça teria? O nosso exercício diário é entender que é OK se o outro tem uma opção sexual diferente da sua, torce para um time que não é o seu, tem uma aparência completamente distante da que você gosta, defende um ideal político avesso ao seu.

 

Tolerância, compreensão e debates saudáveis se preciso for. Afinal, é da conversa entre diferentes que surgem grandes ideias.

 

A gente precisa aprender a lidar com as diferenças.

 

Fotos: Reprodução/Web

 

instagram.com/margotmagazine

 

 

 

As mulheres que não eram feministas

08 / 03/ 2016

 By Bruna Schneider

Durante muito tempo da minha vida eu não me declarei como feminista. Hoje parece piada, mas há alguns anos não era bem assim. O feminismo que eu via na televisão e na internet era o do FEMEN e o do Pussy Riot. Ou seja, mulheres seminuas invadindo igrejas e instituições com palavras de ordem, quebras de ícones religiosos, marcha das vadias, essas coisas. Bom, vocês sabem.

 

Cada um tem a sua luta e as suas razões, mesmo eu não concordando. Eu não me via nessas garotas. Elas não falavam a minha língua – e talvez não falem até hoje. Nada contra. Só não me identifico. E, por isso, disse em alto e bom tom durante anos que eu não era feminista.

 

Mas, com o passar dos anos, a vida fica mais complicada, a gente vai amadurecendo e entendendo melhor as coisas. Minha mãe sempre teve razão ao dizer que a opinião das pessoas muda e que você vai ser várias pessoas ao longo da vida. É normal. É pertinente ao crescimento humano. E foi nessa fase que descobri que o feminismo não era bem aquilo que eu via na mídia. Eis que a ficha caiu:

 

Eu era feminista e não sabia.

feministas

Descobri isso quando comecei a entender, de fato, o que era o feminismo: acreditar na igualdade econômica, política e social entre os sexos. Só isso. Não é pedir muito.

 

Foi então que comecei a trabalhar e vi que tinha homens desempenhando a mesma função que eu, realizando-a porcamente e recebendo um salário melhor que o meu; quando fui chamada de gostosa por um asqueroso desconhecido na rua e tive que me calar por medo de ser agredida; no momento em que deixei de usar saias, vestidos e bermudas no transporte público por medo de ser encoxada ou assediada; quando fui calada em uma reunião de trabalho porque “mulher não entende dessas coisas” ou quando tive que usar um amigo meu como namorado nas casas noturnas para os caras me respeitarem.

 

Eu odiava tudo isso.

 

Eu queria que as coisas fossem diferentes.

 

Eu não aguentava mais ficar quieta vivendo em uma realidade que me prejudicava por causa do meu sexo.

 

Eu descobri que era feminista.

 

Assim como uma sociedade, há também uma pluralidade no grupo feminino. Cada mulher carrega uma luta diferente, muitas até que eu nem conseguiria explicar da melhor forma. Cada uma tem uma cruz específica para carregar. E são várias, na verdade. Mas é claro que isso não inibe o fato de tentarmos compreender cada luta e prestar uma palavrinha bem mágica: sororidade.

 

Migas, somos mais fortes juntas. Queimem seus sutiãs da maneira que conseguirem, no ritmo que for. Mas deem o primeiro passo.

 

Foto: Reprodução/Web

 

instagram.com/margotmagazine

 

 

topo

NÃO, OBRIGADO.