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Spams, malditos spams

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28 / 06/ 2015: 

 By Marcela Brown

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É domingo. Você está em casa trajando aquele pijama poá supimpa – o maior xodó-blaster, no mais íntimo dos seus segredos de estado. O cônjuge, por sua vez, veste o que eu costumo chamar de roupa de idiota: calça de tactel lilás medonha, camiseta promocional da Copa do Mundo de 1994 e, para arrematar, pantufas puídas a combinar com as polainas tricotadas pela vovó em um longínquo aniversário de 12 anos. Você desfruta da mais pura indolência dominical, expressada em toda a sua glória, no exato momento em que toca a campainha e chega a visitinha-surpresa clássica, a perguntar com desfaçatez quase nada dissimulada: “Estou atrapalhando?” É disso que lembro cada vez que deparo-me com 529 spams não lidos. Sim, na caixa de lixo eletrônico.

 

Tudo bem, eles são filtrados e vão parar no AntiSpam, mas é muita energia dissipada pela humanidade a serviço do aniquilamento dessa praga. Até porque a batalha é ingrata: ao bloquear alguns, novos já surgem, multiplicam-se como gremlins.

 

Dia desses, com sede de cultura inútil, me prestei a pesquisar a origem do dito-cujo. Achei que seria referência a uma seita macabra, mas reza a lenda que a expressão é advinda de um presunto enlatado, produzido lá pela década de 30 por uma empresa americana, chamado Spiced ham. Spam seria a abreviatura do nome do produto, que também teria sido comercializado na Inglaterra. E eis que em um programa de tevê britânico um quadro brincou com o tal presunto, como se ele fosse enfiado goela abaixo nos clientes de um restaurante: daí o spam.

 

Parece o comparativo perfeito para essa publicidade invasiva e não-solicitada a povoar nossas contas de endereço eletrônico. Spam é o bolo que a sua tia faz você repetir dez vezes, mesmo que você esteja farto. Spam é o panfleto que nos empurram no semáforo. Spam é a operadora pentelha ligando no celular e oferecendo up grade de plano. Mas a mais fina analogia do spam, sem dúvida, é a visita indesejada: aquela que você não convidou, não está a fim de receber e tenta despachar o mais rápido possível.

 

[texto originalmente publicado pela autora na coluna de opinião do Jornal NH]

 

Imagens: Reprodução



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Comentários

2

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2 comentários em “Spams, malditos spams”

  1. Luiza Brown disse:

    Ahahahaha
    Muito bom! Eu me presto a ter um tempo só para apagá-los. Respiro fundo e começo…

  2. rewestphalen disse:

    Sou colecionador. Famílias de spans dos mais diversos. Talvez daqui 200 anos vendo por bitcoins…

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