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Uma sociedade (quase) perfeita

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09 / 05/ 2016: 

 By Marcela Brown

*** Diretamente do túnel do tempo para o Dia das Mães 2016 ***
Contraí uma sociedade indissolúvel. Confesso que as tratativas da negociação são um tanto díspares, mas estou encarando com serenidade e investindo tempo e dinheiro com afinco, sem medo do que o futuro venha a me reservar. Às vezes é preciso arriscar, não é assim? Em verdade, demorei algumas semanas para me adaptar ao meu novo sócio. Invasivo, ele me acompanha onde quer que eu vá. Num piscar de olhos, perdi integralmente a privacidade, da mesma forma que abdiquei da minha cintura: meu sócio é faminto e, ao pretender alimentá-lo, acabo por me alimentar demasiadamente também. Engordei.
No entanto, não posso me queixar, pois o suprimento da fome do meu parceiro consta nas cláusulas do nosso contrato. Muito antes de desejar, também perdi por completo o controle da situação. Sem muita cerimônia, o associado tornou-se meu inquilino e não faz menção a respeito de pagar aluguel. O abuso não para por aí: o locatário dispõe do lar que ocupa como bem lhe cabe. A cada semana, faz novas modificações, disposto a aumentar cada vez mais o seu espaço, sem consultar a proprietária em questão. Mas, admito, estou gostando das ampliações que ele vem executando, é diferente de tudo o que eu poderia sonhar. A realidade é que me afeiçoei a este sócio desde as primeiras linhas do nosso acordo, talvez por isso tenha cedido às convenções desiguais da união negocial.
E, ao me envolver emocionalmente na associação, também meu matrimônio nunca mais foi o mesmo. Agora eu acordo com o meu sócio, trabalho o dia inteiro com o meu o sócio, almoço, janto e durmo com ele. Era inevitável que eu acabasse por me apaixonar ao ponto de colocá-lo em primeiro lugar na minha vida, acima de tudo e de todos. Acima de mim. Mas ainda resta quase um trimestre para que eu venha, enfim, a conhecê-lo nas vias de fato. A esta agremiação, selada com o meu próprio sangue, alguns dão o nome de maternidade. Eu chamo de Pedro.

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Texto originalmente publicado na coluna de opinião do Jornal NH [6.8.2011]

 

Foto: Maria Helena Rodrigues/Especial

 



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Comentários

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2 comentários em “Uma sociedade (quase) perfeita”

  1. helena disse:

    O Pedro tem muita sorte da mãe que tem ! ele já estava sendo muito amado antes de nascer…

  2. rewestphalen disse:

    Não sei se esta sociedade tem aquilo de entrar em recuperação… Senão vamos levando com amor.. Sócios estão felizes? Se sim, vamos tocando..

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