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E o que eu tenho a ver com isso?

05 / 06/ 2015

 By Bruna Schneider

Se você estava procurando água em Marte e não sabe o que tá rolando, bom, eu te explico. Eis que um comercial superfofo de Dia dos Namorados retratou alguns tipos de casais e, dentre eles, um casal composto por duas mulheres e outro por dois homens. Isso causou o maior frisson na timeline, tipo, até cansar. Tá, Bruna. Mas e daí? O lance é que algumas criaturinhas acharam a mídia ofensiva e houve até tentativa de boicote, etc e tal. Sim, é mais ou menos isso.

 

Um monte de gente já pitacou na polêmica, a maioria reforçando a ideia de que toda forma de amor é válida (a blogueira que vos fala também concorda, diga-se). Mas a questão que fica é:

O que as pessoas têm a ver com isso?

 

A tão sagrada família tradicional brasileira está em lágrimas porque pessoas do mesmo sexo estão se amando e COMO ASSIM ELES TÃO NA TV? Gente, tão querendo que eles fiquem no armário? Alguém avisa que é 2015? Brigada.

 

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Que mania que a gente tem de fiscalizar a vida alheia, né? Convenhamos, todo mundo é assim. Da miga que passou sombra cintilante verde à ex Miss Bumbum que virou evangélica. Sério, o que a gente tem a ver com isso?

 

Não é fácil desapegar de ser fiscal da existência privada. Eu sei. Inclusive, antes de escrever este post eu estava lendo uma matéria sobre o Neymar, que tatuou o rosto da irmã dele no braço. Já virei fiscal de tatuagem alheia.

 

Aliás, euzinha já incluí na minha lista de coisas para melhorar em 2015: demitir-me da função de pentelha da vida dos outros. O item tá junto com mantras como “não ser obrigada” e “tentar não assistir a um show da Beyoncé todos os dias”.

 

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p.s.: mas, vamos combinar, a tatuagem do Neymar… Tá, tá. Parei.

Ai, se eu te pego?

28 / 05/ 2015

 By Bruna Schneider

– É sério isso?

– O quê?

– Que você arranjou um encontro às escuras pra mim.

– É sim. Sabe, Cá, somos amigas desde a infância e você sempre esteve encalhada.

– Não é assim que funciona, Rê. Não fui SEMPRE encalhada.

– Ah, mas foi sim.

– Fui não. A questão é que eu não fico me apegando.

– Pois deveria. Aí não seria SEMPRE encalhada.

 

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Encontro às escuras. Isso mesmo. Cá, aos 35 anos, nesta altura da vida, sendo submetida a uma tática dessas para ver se “desencalhava”. Já fazia anos que ela reclamava sobre o fato de nunca conseguir um namorado, o quão era infeliz sozinha e todo um blá blá blá digno de um programa da Silvia Poppovic. Não se considerava tão feia, tinha um bom emprego e era legal. Não entendia o motivo de continuar solteira. Rê dizia que era porque ela não saía do trabalho para nada, focava em suas atividades e se esquecia da vida social. Mas Cá ainda achava que era o fato de vestir manequim 46.

 

Para o encontro escolheu uma saia que não usava há tempos e que estava dois números abaixo do seu. Nada que uma cinta modeladora do Dr. Rey não resolvesse. Passou um perfume que tinha ganhado da sua mãe e nunca usado. Tinha cheiro de baunilha. Era horrível, mas agora já era tarde, não tinha como tirar o cheiro. Chamou um táxi e foi para o restaurante italiano.

 

“Ele é moreno, cabelo raspado, nariz grande, forte e estará usando uma camisa branca”, havia dito Rê. Nariz grande? Whatever. Cá chegou ao restaurante e o viu sentado à mesa. Cumprimentou o rapaz e sentou-se. Ao invés de ela ouvir um “boa noite”, acabou ouvindo um sonoro “Que cheiro de baunilha! É você?”. Claro que ela negou, dizendo que o cheiro deveria vir da cozinha do restaurante.

 

Cá não sabia se estava insegura demais ou ele que estava prepotente ao extremo. Mas de uma coisa ela tinha certeza: não era obrigada a nada. O rapaz fez uma dissertação extremamente detalhada sobre suas incansáveis horas na academia e sobre o último show que fora do Michel Teló. “Sabe como é, tenho que aprender várias maneiras de dizer ‘Ai, se eu te pego’. Você me entende, não é?” Cá se limitava a dizer “sim, aham, que bom”. Mesmo não sabendo outra forma de se dizer “Ai, se eu te pego”.

 

Pediram pizza de quatro queijos e brócolis com rúcula. A metade com queijo era de Cá, que detestava qualquer coisa que fosse verde. Entre garfadas e mais garfadas, ele continuava o seu ensaio sobre a maravilhosa pessoa que era. Disse que queria ser um herói. “Que herói?”, questionou-lhe Cá. “Nenhum específico. Só espero um dia entrar no Big Brother, ficar rodeado por gostosas e ouvir do Bial que sou um herói. Deve ser o máximo”. Era a gota que faltava para ela ligar o automático do cérebro e assistir a novela das nove na televisão do restaurante. Não era obrigada.

 

Após comerem a pizza, ele perguntou no que ela trabalhava.

 

– Sou designer.

– Designer?

– É.

– Ah, entendi. Você desenha, né?

– Não exatamente.

– Ah, desenha sim. Fiz um cursinho online de designer…

– Design.

– É, design. Aprendi a desenhar no computador. É legal.

– É, talvez seja.

 

Não era obrigada a explicar suas funções para um herói de BBB. Levantou-se, jogou algum dinheiro sobre a mesa e disse que precisava ir embora. Ele perguntou se havia feito algo errado. Ela balançou a cabeça negativamente e partiu. Não havia respondido nada ao rapaz, mas sua consciência questionava: quantas maneiras existem de dizer “Ai, se eu te pego”?

 

Por que Mad Max é um filme sobre não ser obrigado

26 / 05/ 2015

 By Bruna Schneider

Se você nunca ouviu falar sobre a trilogia Mad Max, ou, mais precisamente, o último filme, Estrada da Fúria, você precisa resolver isso logo. É sério. Mas se você estiver com preguiça de pesquisar sobre o longa-metragem, a Bru te ajuda.

 

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Mad Max: A Estrada da Fúria aborda um mundo pós-apocalíptico onde a escassez de água e de outras matérias-primas faz com que água e combustível sejam moedas de troca. Isso faz com que Immortan Joe, um cara um pouco exótico, eu diria, se torne o líder de uma vila por ser dono de uma nascente de água e de uma penca de combustível. A insensatez dele é tanta que ele possui como “propriedade” um grupo de cinco mulheres que servem, única e exclusivamente, para reproduzir. Insano, não?

 

Mas é aí que surge a Imperatriz Furiosa, interpretada pela lindíssima Charlize Theron, com o apoio de Mad Max, e ajuda essas mulheres a sair da vila e ficar a salvo. Essa é a base da história. Ufa!

 

Mas o que isso tem a ver com o blog? Tudo!

 

O filme é mais do que inspirador para quem precisa de um empurrãozinho para não aceitar tudo aquilo que lhe é imposto. Afinal, ninguém é obrigado. Além disso, Furiosa é o exemplo de personagem do ano para se inspirar: ela não se cala perante as dificuldades, é poderosíssima e não leva desaforo pra casa. E, vamos combinar: não é preciso ser a Charlize Theron para ser tudo isso.

 

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À primeira vista, Mad Max é um filme que transpira ficção e fantasias malucas. Mas, vamos combinar: é bem parecido com os dias de hoje. A palavra-chave é libertação, seja ela qual for, de estereótipos, de insensatez, de não ser obrigada.

Por falar nisso, já reparou o look desconexo e divino da Jennifer Lawrence?

 

Uso obrigatório de salto alto? Que ano é hoje?

20 / 05/ 2015

 By Bruna Schneider

Você deve ter visto na sua timeline nas últimas horas que a organização do festival de Cannes proibiu um grupo de mulheres com mais de 50 anos de assistir a um dos filmes porque:

 

A) Estavam dançando É O Tchan no tapete vermelho

B) Possuíam tatuagens na testa com a frase “I Love Romero Britto”

C) Levaram frango com farofa para a sessão

D) Não estavam usando salto alto

 

Por mais que sejam absurdas , acredite: a alternativa D está correta. Sim, é isso mesmo. Você pode conferir mais informações sobre o caso aquiA pergunta que fica é:

 

Que ano é hoje?

 

Em pleno 2015 ainda obrigam as pessoas a seguirem um padrão tão, mas tão antiquado, que revoltou um pouco a blogueira que vos fala. Neste caso, impõem um padrão estético para mulheres com mais de 50 anos que, possivelmente, já passaram por tanta coisa nesta vida que a última coisa que se importariam é com o uso do salto alto.

 

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Eu, que estou longe da casa dos 50 anos, confesso que detesto usar salto alto. Tenho 1,75m de altura e sou desengonçada por natureza. Quando uso um sapato com salto alto me sinto um boneco de Olinda. Além disso, por que raios a maioria deles é tão desconfortável? Inclusive, eles deveriam vir em um kit com Band Aid, esparadrapo, gase, creme refrescante para os pés e um seguro de vida.

 

Gente, não dá.

 

Há quem adore um salto e arrasa com ele. Mas isto não deveria ser imposto para ninguém. Afinal, por que alguém deveria ser obrigado a calçar algo que não gosta para seguir um padrão? Relações públicas de Cannes: vamos melhorar isso para o ano que vem. Ok?

Mais que um meme: um lema

18 / 05/ 2015

 By Bruna Schneider

Aposto uma barra de chocolate que você já disse ou teve vontade de dizer um sonoro:

 

                     

 

Se não teve, ainda vai ter. Ele pode vir seguido de uma tarefa chata, de um encontro desagradável ou daquela alface com chia horrorosa que você acha que é obrigada a comer para ver se perde aquele culote que todo mundo tem (OK, talvez a Gisele não tenha). A questão é:

 

Ninguém é obrigado a nada. A nada.

 

Tá, somos obrigados a pagar as prestações daquele vestido que foi usado uma única vez ou então o aluguel do apartamento por motivos de não querer ser despejada. Somos obrigados a muitas coisas, mas a filosofia por trás desta frase é muito mais um estilo de vida do que propriamente uma desculpa ou até um meme de Facebook.

 

Não ser obrigada é, basicamente, não se importar com tudo. Afinal, por que devemos nos importar com tanta coisa? Isso se chama neura, e dá rugas. Quando nos importamos demais se aquela chata da faculdade está mais magra que nós (e ainda por cima come Mc Donalds duas vezes por semana), se alguém comenta em seu post no Facebook algo contraditório ao que você disse, ou então quando o cara que você está afim visualizou e não respondeu sua mensagem no WhatsApp… A lista é infinita!

 

Quantas vezes mudamos ou fazemos algo que não gostamos apenas para ser aceita ou estar dentro dos “padrões”? Aliás, que padrões são esses? Bom, isso é conversa pra outra rodada de cerveja. A questão é: ninguém é obrigado a nada. A nada. Não se importar com tudo implica em estar mais confortável consigo mesma e proclamar em alto e bom tom que você não precisa estar incrível o tempo todo, que o discurso de ódio nas redes sociais não te atinge e que se alguém te deixou no vácuo, bom, azar desta criatura.

 

Ser adepto da filosofia do “não sou obrigada” é libertador. Recomendo. Só lembre de pagar suas contas ao final do mês. Sim, você é obrigada.

I am not thank you :P

15 / 05/ 2015

 By Bruna Schneider

Viral que extrapolou as fronteiras do pensar? Provérbio latim livremente traduzido? Título de manual de seita macabra? Seja qual for a origem da dita-cuja, poucas expressões traduzem com tanta maestria a sina do nosso tempo: Não sou obrigada é bem mais que um meme. É um grito de guerra manifesto que dá voz à nossa indignação. Não importa se sua causa contempla a unha que quebrou quando você saiu do salão ou se diz respeito ao aumento da passagem de ônibus. Aqui, toda causa é legítima. Até porque você não é a obrigada ler os posts desse blog, a menos que queira rir da paródia cotidiana desta jornalista que mata um leão por dia, inspirando-se na própria vida (e por vezes na vida alheia) para redigir as crônicas da existência real. Além de jornalista multimídia, eu, Bruna Schneider, sou analista de mídias sociais, me aventuro como fotógrafa e não sou obrigada a nada.