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Vida em modo automático: não sou obrigada

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20 / 07/ 2017: 

 By Bruna Schneider

Quando eu era criança, lembro que eu não vivia no modo automático: eu e meus amigos nos reuníamos todos os domingos para brincar. Como todos nós morávamos na mesma rua, era muito fácil de programar como seria a tarde de diversão. Além das brincadeiras clássicas, como esconde-esconde, taco e caçador, tínhamos uma em especial: profissão. Isso mesmo, o nome da diversão era “profissão”.

 

Era muito simples: cada um escolhia uma profissão e a exercia durante a tarde, permitindo que os outros amigos fossem ser atendidos nos outros trabalhos. Por exemplo: um era médico, a outra era cozinheira… Eu geralmente lia tarô e mãos. Não me pergunte o motivo.

O fato é que eu e meus amigos destinávamos algumas boas horas por domingo brincando do que, alguns anos mais tarde, seria a nossa vida real. Mas com menos graça, aparentemente.

 

Mas o que se perdeu no caminho?

 

Claro que seria muito injusto da minha parte comparar uma brincadeira infantil com a vida real. Porém, por que esta vida real soa tão menos divertida?

 

Temos que movimentar a máquina.

 

Passamos pela vida realizando tarefas que os outros esperem que a gente faça: cumprir as mais de oito horas de trabalho, participar de todas as reuniões possíveis, aguentar o trânsito ferrenho todos os dias, manter o peso ideal e continuar saudável. E, no final, assistir Netflix até dormir.

 

Muitas vezes o emprego perfeito está longe, outras vezes nem chega. Os boletos entopem a caixa do correio e vida que segue. Modo automático. Os dias passam muito rápido e não temos mais tempo para fazer aquilo que realmente amamos.

Pessimista? Provavelmente sim.

 

A saída é tentar enxergar o lado bom a cada dia, aquela velha história do copo meio cheio ou meio vazio. E se no trabalho monótono a gente encontrar algo bacana ajudando alguém ou encontrando um bom propósito no talento que temos? Quanto aos boletos, bom, eles só existem porque conseguimos comprar coisas bacanas para nós.

 

Mantra diário: quantos gostariam de estar no meu lugar?

 

Enxergando nossos privilégios e valorizando tudo que temos pode deixar a vida mais divertida, mais leve, como uma brincadeira de criança.

 

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Gifs: Reprodução/Web

 



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